UM SETEMBRO MAIS AMARELO: EM ÉPOCA DE PANDEMIA E INCERTEZAS FALAR SOBRE SAÚDE MENTAL É UMA URGÊNCIA PELA PROTEÇÃO DA VIDA
Publicado: 23 de setembro de 2020 - Hora: 12:55

UM SETEMBRO MAIS AMARELO: EM ÉPOCA DE PANDEMIA E INCERTEZAS FALAR SOBRE SAÚDE MENTAL É UMA URGÊNCIA PELA PROTEÇÃO DA VIDA

Sirenes, emergências, acidentes, tragédias, incêndios, cenários exaustivos para a mais sã das mentes, essa é a rotina nos quartéis a qual o bombeiro militar se depara todos os dias, em um serviço fundamental para a segurança pública, além disso, o período de pandemia que enfrentamos desde o início do ano acentuam o sofrimento pelo qual muitas pessoas podem passar. Esse cenário somado às rotinas do dia-a-dia em busca da sobrevivência e da lógica de que não se pode perder tempo —principalmente quando o assunto é a dor incapacitante da depressão — podem fazer deste setembro – mês de prevenção ao suicídio – com uma urgência ainda maior de falar sobre saúde mental.

O isolamento social e o sentimento de desamparo que temos experimentado de forma mais evidente e massiva nos últimos meses, assim como a perda de amigos e entes queridos para a Covid-19 destacam sentimentos de angústias e dor. Para profissionais como os bombeiros militares a situação pode ser mais significante, o contato direto com pacientes vítimas da infecção, o que ameaça não só a própria saúde, como a dos filhos e familiares no retorno para casa. 

De acordo com a Major BM Daniele Gomes, psicóloga da corporação “precisamos redobrar os cuidados e a observação dos ambientes de trabalho quando no que se refere aos aspectos da saúde mental nesse período”, disse ela, destacando também que a dor da perda pode ser experienciada de forma mais aguda em alguns indivíduos do que em outros, portanto “ um fator de risco e de alerta ainda maior em casos de pacientes com históricos de transtornos mentais”, acrescentou a Major.  

Mostrar que as pessoas não estão sozinhas, que podem e devem buscar ajuda para vencer as dificuldades dos transtornos mentais é o melhor caminho para proteger a vida daqueles que precisam e das pessoas a nossa volta.

Precisamos falar sobre prevenção ao suicídio: 

Falar sobre suicídio e depressão sem tabus e desmistificando falácias sobre transtornos mentais, é uma excelente arma contra a desesperança que pode tormar conta e levar uma pessoa a dar fim à própria vida. Infelizmente a desinformação ou falta de informação ainda leva muita gente a tratar esse problema de saúde pública com descaso ou eufemizando uma situação que é crítica. 

Os dados de instituições de saúde dão o alerta sobre a questão. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no mundo todo ocorre um suicídio a cada 40 segundos e 800 mil todos os anos. Isso significa que a qualquer momento alguém que está próximo de nós ou até nós mesmos podemos ser atingidos por esse mal que nem sempre dá sinais tão claros. 

Além disso, entre os profissionais de segurança pública que vivem sob constante alerta, rigidez das corporações,  estresse das situações de emergência e violência, o contexto acende o sinal vermelho. Somente entre 2017 e 2018 foram registrado 104 casos de suicídio entre profissionais da segurnaça pública no Brasil como indicam os números do 13º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Depressão já é a terceira maior causa de afastamento do trabalho:

A depressão é uma doença crônica que provoca modificações físicas, comportamentais e emocionais de forma considerável, levando à perda de sentido para a vida. Ela pode ser causado por aspectos genéticos, pela alteração da nossa química cerebral, e por eventos que marcam a nossa vida, como o fim de um relacionamento ou a perda de um ente querido. Como tal ela precisa ser identificada, tratada e prevenida. 

É necessário estar atento o tempo todo à saúde dos ambientes em que estamos, á nossa própria saúde e daqueles que estão próximos. Alguns fatores podem servir de alerta:

  • Sensação de vazio, tristeza, autodesvalorização e sentimento de culpa;
  • Retardo motor, falta de energia, preguiça ou cansaço excessivo, lentificação do pensamento, falta de concentração, queixas de falta de memória, de vontade e de iniciativa;
  • Insônia ou sonolência. A insônia geralmente é intermediária ou terminal. A sonolência está mais associada à depressão chamada Atípica;
  • Apetite: geralmente diminuído, podendo ocorrer em algumas formas de depressão aumento do apetite, com maior interesse por carboidratos e doces;
  • Redução do interesse sexual;
  • Dores e sintomas físicos difusos como mal estar, cansaço, queixas digestivas, dor no peito, taquicardia, sudorese.

Acolhimento aos Bombeiros: 

A Diretoria de Saúde do CBMPA também oferece atendimento psicossocial e médico, oferecendo ferramentas para a proteção e bem estar desses militares. 

Além disso, dependentes dos militares e servidores civis da corporação também têm acesso aos serviços. Basta agendar a consulta na Polibom, no Comando Geral, presencialmente ou através do número: 98899-6415, a partir das 8h. 

Outro serviço que merece destaque, é o Centro de Valorização da Vida (CVV) que pode ser feito tanto pelo 188 quanto pelo chat através do endereço: https://www.cvv.org.br/quero-conversar/

ASCOM CBMPA

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