Corpo de Bombeiros alerta banhistas para riscos de afogamento
Publicado: 18 de novembro de 2019 - Hora: 11:23

Corpo de Bombeiros alerta banhistas para riscos de afogamento

Julia Assayag, 09 anos, nada na piscina de casa com a felicidade que toda criança sente quando está brincando. Uma deliciosa diversão que pode disfarçar um perigo, sempre à espreita: o afogamento. “Nunca a deixamos sozinha, seja na piscina, seja na praia. Sempre tem alguém com ela, principalmente o irmão, que também fez natação. E ela é muito ativa, tem que ficar de olho. Aqui em casa optamos por uma piscina menor justamente por isso, por ter criança”, afirma Kelly Assayag, mãe de Julia.

Kelly nunca aprendeu a nadar. O medo virou um “sempre alerta” com os filhos, que fazem natação. Mesmo assim, ela não abre a guarda. Quando viaja em família para a praia, sobretudo nas férias, vai logo avisando: “Não vai muito lá pro fundo”.

No entanto, o filho mais velho, José Neto, depois de adulto, parece ter esquecido o conselho da mãe, e acabou passando por uma experiência nada agradável. “Foi nas férias de julho, na praia de Fortaleza. A gente tava tomando banho, eu, meu irmão e mais uns amigos. E fomos nadar mais longe, pra passar um banco de areia, onde tinha ondas melhores. Porque tinham dois surfistas entre nós. Só que eu cansei muito e não tinha prancha. Pensei que dava conta. Aí rolou um pânico, deu câimbra no pé. Eu não conseguia nadar. Foi assustador”, contou o jovem universitário.

José Neto se salvou, porque um dos surfistas que estava próximo lhe acalmou, orientando a flutuar na água até que a onda os empurrasse para a beira da praia. “Pensei que conseguiria nadar até lá. Mas não conheço o mar de lá como eles conhecem. Foi excesso de confiança”, admitiu.

Perigo constante – A história ilustra muito bem que, seja adulto ou criança, sabendo nadar ou não, negligenciar as orientações recomendadas por guarda-vidas pode ser fatal. Segundo o último boletim da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), que reúne informações do Corpo de Bombeiros de todos os Estados (incluindo o Pará) e da Guarda-vida Civil de alguns municípios – no Brasil 16 pessoas morrem afogadas por dia.

Registros do Corpo dos Bombeiros Militar do Pará (CBMPA) mostram que a estatística de afogamentos fatais de crianças, na faixa etária de 0 a 10 anos, vem caindo nos últimos dois anos. Em 2017, foram 13 mortes. No ano passado o número de registros passou para 11. E este ano, até o mês passado, oito crianças morreram afogadas. Os dados, mesmo comprovando a redução a cada ano, preocupam as autoridades da área de segurança.

Por isso, o Corpo de Bombeiros do Pará e a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) estão reforçando as ações preventivas de segurança em praias de Barcarena e dos distritos de Mosqueiro e Icoaraci (pertencentes a Belém), utilizando placas de sinalização para orientação de banhistas.

O objetivo é ampliar o plano de prevenção, sinalizando as áreas de risco. Para o coronel Silva Junior, comandante do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), é possível reduzir essa estatística se a sociedade cooperar com as ações de prevenção de acidentes em água. “Nós temos que fazer a população entender que é parte importante neste cenário. Ela tem que desenvolver essa percepção do risco e respeitar as regras já disseminadas por nós durante as ações de conscientização e prevenção”, disse o coronel.

“Eu acho que tem que partir de dentro de casa. A educação é a base de tudo. Tem que saber orientar os filhos. Principalmente porque não tem como vigiá-los todo o tempo. Quando é algo de recreação, que as pessoas ficam mais dispersas, conversando com os amigos, bebendo uma cerveja. Numa distração a gente perde o filho”, ressaltou Kelly Assayag.

Com base nas informações do GBS, militares do Corpo de Bombeiros orientam banhistas (de praia, rio ou piscina), enfatizando a importância de, pelo menos, cinco atitudes.

 

Em praia:
– Nadar somente em praia que tenha guarda-vidas, e nunca alcoolizado.

– Respeitar as sinalizações e avisos. Não entrar na água com bandeira vermelha.

– Água no umbigo, sinal de perigo. Caso seja pego por uma corrente fique calmo. Não lute contra. Flutue e acene por ajuda imediatamente.

– Costões e locais com pedras são impróprios para banhos. Não entrar na água, pois há risco de morte.

– Ajudar um afogado ligando para 193. Ao invés de entrar na água para salvar, jogar um material flutuante e aguardar.

 

Em rio:
– Rio de corredeiras, não entrar. E se embarcado, usar colete salva-vidas.

– Rios sem corredeiras, água no máximo na altura dos joelhos ou utilizar salva-vidas. A profundidade pode aumentar rapidamente.

– Ficar todo tempo sob a supervisão de alguém que possa ajudar se algo acontecer. Nunca entrar alcoolizado.

– Em situação de perigo, manter a calma, flutuar e acenar pedindo ajuda. Não nadar contra a correnteza.

– Se for ajudar, ligar pra 193. Ao invés de entrar na água para salvar, jogar um material flutuante e aguardar.

 

Na piscina:
– Atenção 100% nas crianças, mesmo na presença de guarda-vidas. Manter distância equivalente a um braço.

– Em piscinas coletivas, só tomar banho se tiver um guarda-vidas presente.

– Saber agir. Se avistar alguém em apuros, ajudar o afogado sem entrar na água. Ligar 193, jogar material flutuante e aguardar o profissional chegar.

– A piscina precisa ter acesso restrito.

–  Evitar a sucção de cabelos. As tampas de ralos precisam ser de anti-sucção.

 

FONTE: Agência Pará

FOTOS: ASCOM CBMPA; Agência Pará