Corpo de Bombeiros na prevenção contra o escalpelamento
Publicado: 15 de dezembro de 2017 - Hora: 09:52

Corpo de Bombeiros na prevenção contra o escalpelamento

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A Coordenação Estadual de Mobilização Social/DPAIS/SESPA, em parceria com a Comissão Estadual de Enfrentamento aos acidentes de motor com escalpelamento (CEEAE), realiza trabalho contínuo de sensibilidade pública e prevenção a esses acidentes, no Estado do Pará. Reconhecendo a participação e a importância das parcerias, a Coordenação de Mobilização Social/SESPA realizou a premiação “Parceiros unidos no enfrentamento ao escalpelamento” com o intuito de agradecer e homenagear aqueles que colaboram e dedicam-se à causa, e também de incentivar a continuidade das ações de mobilização coletiva e enfrentamento aos acidentes de motor, visando à erradicação dos mesmos nos rios, furos e igarapés.

Na ocasião foram entregues placas e certificados, além do lançamento do selo “Município Escalpelamento Zero”, que irá vigorar a partir de 2018. Para estimular o combate aos acidentes nos municípios ribeirinhos paraenses. O Corpo de Bombeiros Militar do Pará é um dos parceiros que ajuda e apoia a causa trabalhando de forma preventiva.

O Subcomandante Coronel Augusto Lima esteve na ocasião representando o Comandante Geral. “É sempre uma honra realizar trabalhos como este, ver o sorriso no rosto do próximo e reafirmar a união com todas as Instituições que estão envolvidas nesse trabalho, o Corpo de Bombeiros sempre estará de braços aberto e que em 2018 seja fortalecida ainda mais essa união”, afirmou o coronel.

O Capitão Leonardo Sarges, do Corpo de Bombeiros Militar que é membro da Comissão Estadual de Enfrentamento aos acidentes de motor com escalpelamento ressalta que: “em 2016 o CBMPA foi convidado a fazer parte, e eu como membro, juntamente com meu suplente capitão Nascimento começamos a fazer parte das ações. Trabalhamos com assistências, seja ela, material com alimentos e brinquedos, e emocional dando suporte, ajuda, incentivo, doação de cabelos e o amor. Nosso maior objetivo é erradicar os acidentes e estamos trabalhando incansavelmente”, ressaltou.

Prevenção – O Corpo de Bombeiros Militar do Pará, através do Grupamento Marítimo Fluvial que realiza ações de cunho preventivo com abordagem no escalpelamento, afim de falar sobre o que é, qual a forma de prevenir o acidente, e principalmente disseminar o entendimento na educação infantil; campanhas educativas de prevenção aos afogados com entrega de coletes e conscientização do uso; orientações para a segurança da embarcação e dos tripulantes. “O GMAF também trabalha para mudar a cultura de falta da percepção de riscos, a cultura de não comprometimento, de má utilização dos equipamentos de segurança, ou de não utilizar. A região do Marajó tem um índice elevado de afogamentos e tem o maior ponto de acidentes de escalpelamento, e reforçamos ainda mais os trabalhos com nossos parceiros da comissão para diminuir os acidentes”, pontua o capitão Leonardo Sarges.

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Capitania dos Portos da Amazônia Oriental: 0800-2807200 ou (91) 3218-3950 | Para informar sobre vítimas de escalpelamento procure: Fundação Santa Casa (91) 4009-2262. | Coordenação de Mobilização Social / SESPA (91) 4006-4329 /mobsocialsespa@hotmail.com –comissão.escalpe.pa@gmail.com.

Redução – A redução dos casos de escalpelamento resulta de um trabalho integrado feito pela Comissão Estadual de Enfrentamento aos Acidentes com Escalpelamento (CEEAE), composta pelo Corpo de Bombeiros Militar do Pará, Marinha do Brasil, Fundação Santa Casa de Misericórdia, Defensoria Pública do Estado, Secretaria de Estado de Transportes (Setran), Capitania dos Portos, Ministério Público do Estado, Sindicato dos Médicos do Estado, Sociedade Paraense de Pediatria e Secretaria de Estado de Educação (Seduc), entre outras entidades parceiras.

O Arquipélago do Marajó e o oeste paraense são regiões que lideram as procedências das vítimas de escalpelamento. A lista é composta por 46 municípios. Mas o balanço dessas ocorrências mostra a eficácia do trabalho que vem sendo feito: de 1982 até dezembro de 2014 foram registrados 409 casos de escalpelamento, contra 11 em 2015, seis em 2016 e um caso registrado em Portel, em agosto deste ano.

O acidente acontece quando as vítimas têm o couro cabeludo arrancado no contato com os motores dos barcos, meio de transporte comum na região amazônica. As principais vítimas são mulheres e crianças que sofrem os efeitos físicos e traumas psicológicos.

Atualmente, a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará coordena o processo de implante de orelhas em vítimas desse tipo de acidente, que entre 2006 e 2017 somaram 129 casos atendidos. As vítimas de escalpelamento também recebem um apoio fundamental no Espaço Acolher, mantidas pela Fundação Santa Casa, que desde 2003 hospeda vítimas desse tipo de acidente oriundas de municípios do interior, que precisam dar continuidade ao tratamento médico em Belém.

O Espaço Acolher foi criado em 2006 e faz parte do programa de atenção integral às vítimas de escalpelamento (PAIVES) na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará e atende as vítimas depois que recebem alta do hospital e que precisam continuar o tratamento na capital, já que a grande maioria dos acidentes acontece no interior do Estado. “o objetivo era criar um espaço com uma equipe multidisciplinar que atende as vítimas de escalpelamento, e ajudar com o serviço social, com psicologia, temos pedagogos, profissionais técnicos de enfermagem, e que, acima de tudo, elas possam ficar, realizar os curativos, as intercorrências e procedimentos adequados para receber alta com o tempo certo”, avalia a coordenadora do Espaço Acolher, a assistente social Luzia de Matos.

Anny Almeida sofreu o acidente aos 15 anos e não sabia o que era até acontecer consigo mesma, após 17 anos do ocorrido, ela já realizou 34 cirurgias e conta sobre o apoio e o amor que recebeu durante anos de tratamento. “A ajuda de todos foi fundamental, é gratificante, e hoje, disseminar tudo que aprendi e ajudar outras pessoas com a informação, além ajudar na prevenção é importante, eu não conhecia e teve que acontecer comigo para eu aprender e saber o que era, não quero que aconteça com mais ninguém, estamos na luta e espero que o número diminua cada vez mais”, afirmou.

Doação – O Natal está próximo e o espírito natalino começa a bater na porta, todos movidos pela época de celebrar o amor, o carinho, a gratidão, o espírito da entrega e da doação, cada um tem seu motivo para sorrir. É importante frisar que é época de espalhar o amor e doar é entregar.

A história do Pedro reflete o sentimento da doação, da entrega e da solidariedade. Filho do tenente Coronel Valtencir Pinheiro do Corpo de Bombeiros, Pedro Henrique Pinheiro, soube do ato de doar o cabelo após assistir uma reportagem sobre escalpelamento, ao ver, se sentiu impactado com a situação complicada que os escalpelados passam, com isso, resolveu deixar seu cabelo crescer para futuramente fazer a doação, após anos, ele cortou o cabelo e doou na cerimônia do evento e se sente com o dever cumprido de ter feito uma boa ação. “Após ver como é difícil para as meninas passarem por isso eu quis doar meu cabelo, ele cresce rápido e falei para minha mãe que queria doar, então passei a cuidar mais dele que o normal, sofri preconceito na escola por ter o cabelo comprido, mas isso nunca me desanimou porque sabia que era para um bem maior”, afirmou Pedro.

A Janaina Pinheiro é mãe do Pedro Henrique e acompanhou a atitude do filho desde o início e diz que se sente orgulhosa: “é uma atitude madura para uma criança de apenas oito anos e isso me encheu de orgulho, é uma ação que o ajudou a criar uma responsabilidade a partir do momento que escolheu ajudar o próximo”, afirmou.

Viver em uma sociedade que impõem que meninos tem que ter o cabelo curto e as meninas o cabelo comprido, não é nada fácil, por esse motivo Pedro teve que se adaptar a um realidade diferente para fazer o bem à outras pessoas e trazer um sorriso de volta à quem sofreu o escalpelamento.

“Ele deixou o cabelo crescer durante anos e só estava esperando o momento certo para realizar a doação, sofreu preconceito e bullying, mas isso não o abalou, ele sabia que mais a frente iria fazer a diferença com sua atitude”, disse a mãe.

A Brenda Pinheiro que também é da família do tenente coronel Valtencir Pinheiro, se solidarizou e fez questão de fazer parte da vida das meninas que perderam o cabelo, através da doação. “Me aprofundei sobre o que era o escalpelamento, vi algumas histórias e de que forma eu poderia ajudar, e pensei muito sobre isso, deixei meu ego de lado porque pra mim foi difícil desapegar, pois sou muito vaidosa, mas criei uma força através das histórias dos escalpelados, e doei. É muito bom fazer uma ação que vai deixar outra pessoa feliz”, pontuou.

Lançamento – Na ocasião foi lançado o selo “Município Escalpelamento Zero”, que irá vigorar no ano de 2018. Com o objetivo de estimular o combate aos acidentes nos municípios ribeirinhos paraenses. Cerca de 46 municípios tem registro de escalpelamento no Pará.

“A partir de 2018, o selo será trabalhado e a SESPA irá realizar uma premiação em que os municípios irão receber se eles conseguirem trabalhar a questão da prevenção de acidentes de motor no seu município diretamente com sua população, o selo é um incentivo para que as ações sejam eficazes. Com a ajuda e o apoio dos demais, vai ser mais fácil de disseminar a informação e a prevenção”, afirmou a Coordenadora Estadual de Mobilização Social, Socorro Silva.

O Dia Nacional de Combate aos Acidentes com Escalpelamento é instituído pelo projeto de lei (PL 175/08) com o propósito de conscientizar população, barqueiros e ribeirinhos sobre os riscos de acidentes em barcos da Amazônia que navegam com o eixo do motor exposto.

Por Ascom CBMPA

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